da política de direita
Mentiras e verdades <br>sobre o PEC 4
Com o PEC 4, seria evitado o desastre dos últimos três anos? Para acreditar que sim seria preciso aceitar como genuíno o véu de esquerda com que o PS cobre a política de direita que efectivamente tem realizado e que continua a defender.
Nos gabinetes do Largo do Rato que distribuem vouchers para Estrasburgo, reciclaram do baú das velharias a tese de que o PCP seria responsável pela queda do Governo de Sócrates e, logo, pela entrada da troika e por estarem o PSD e o CDS a executar o pacto de agressão.
Dirigentes do PS e candidatos às eleições para o Parlamento Europeu glosaram, nestas últimas semanas, a ideia que José Sócrates deixou registada no Congresso daquele partido, a 10 de Abril de 2011, entre a demissão do governo e a realização de eleições antecipadas: «Portugal foi arrastado para uma crise política que era totalmente evitável. Essa crise foi provocada no pior momento possível. Sabemos quem provocou essa crise: foram todos os partidos da Oposição – extrema-esquerda e direita – unidos numa aliança contranatura».
Agora vieram à liça Pedro Silva Pereira (a 11 de Abril no Diário Económico), Alberto Martins (num comício em Viana do Castelo, a 11 de Maio), António Correia de Campos (no Público, esta segunda-feira, dia 19). Todos comprometidos com os governos do PS, com a sua política nacional e com as suas opções seguidistas na União Europeia de Merkel e Barroso, de Hollande como de Sarkozy. Todos comprometidos com os PEC que antecederam o PEC 4 e que foram aprovados pelo PSD e pelo CDS, sem que se notasse qualquer «aliança contra-natura».
Lembramos aqui alguns factos e ideias que mostram como, afinal, mais uma vez o PS se mostra ofendido porque o PCP e a CDU lhe levantam o véu da «esquerda» e dão firme combate à política de direita, seja quem for que esteja de turno no governo a executá-la.
No exemplo concreto do PEC 4, fica claro o que significa a «mudança» com que o PS hoje cobre o discurso eleitoral, tentando remendar os rasgões no véu. Fica claro que o PSD e o CDS-PP, depois de viabilizarem os orçamentos do Estado dos governos do PS e de negociarem todos os PEC, reprovaram o PEC 4 porque decidiram passar a fazer eles próprios a política que apenas estavam a apoiar. E fica claro que esta troika cá de dentro assume o comum compromisso de prosseguir o rumo inscrito no pacto de agressão que PS, PSD e CDS assinaram em 2011 com o FMI, o BCE e a UE.